o alfarrabista do burgo

Sotaque beirão, voz baixa de confessionário, mensagens profundas e enigmáticas, o pensador faz-nos pensar. Sabia bem ouvi-lo. Outros tentam decifrá-lo, descodificando o que pensam que ele pensou.
Eduardo Lourenço viveu pensando. Dizem ser o último dos últimos. Há sempre quem diga algo assim quando parte alguém maior. Como ele. Ou Agostinho da Silva que também pensou, vivendo.
Talvez seja nos ‘Labirintos da Saudade’ a sua obra mais mediática, que melhor revela a arte de pensar português. Mas Eduardo Lourenço não deixa de surpreender. Porque como pensador que foi, vastos foram os temas que abordou, mesmo aqueles que poderíamos pensar não o fazer reflectir.*
“… Os Portugueses não convivem entre si, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se e nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe…”*
Hoje, que passa mais um ano sobre o seu nascimento, num tempo de nós deslaçados, calam cada vez mais fundo as suas palavras: “Naquela aldeia ninguém morria sozinho…”.
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