O lugar dos livros impossíveis!

É assim todos os anos. No dia em que passa mais um ano sobre o nascimento de Alexandre Herculano, entro e olho o belíssimo busto do historiador, romancista e poeta, que me recebe e acompanha na livraria. O seu olhar sábio, segreda-me dia a dia, uma vida plena de dedicação pelo estudo e investigação, pelas causas que abraçou, por tanto que nos legou. Herculano não foi só o introdutor da elaboração científica da história ou um dos fundadores do romantismo em Portugal. Não se limitou a ser Bibliotecário-Mor das Bibliotecas da Ajuda e das Necessidades, nem apenas um lutador da causa liberal, ou um notável historiador e romancista do seu tempo.

Alexandre Herculano foi, acima de tudo, um homem probo e honrado, que soube retirar-se a tempo e no tempo certo, recolhendo-se na sua Quinta de Vale de Lobos, aqui, em pleno Ribatejo, longe das intrigas palacianas e da política de pacotilha.

Com ele, aprendi que se pode ser “mais monge que missionário”, sem necessidade de mosteiro ou de convento. Todos os dias me recebe nesta clausura de porta aberta. E ele, sóbrio, discreto, austero, parece segredar-me que o deixe continuar por aqui, tranquilo, repousado, sem que lhe puxe o brilho. E assim faço. Assim o continuo a olhar quando entro. A despedir-me quando saio. Tento fazer a minha parte. A patine do tempo vai fazendo a sua.

adelino pires

28.março.26
Partilhe nas redes sociais
0

Carrinho