Alexandre Herculano foi, acima de tudo, um homem probo e honrado, que soube retirar-se a tempo e no tempo certo, recolhendo-se na sua Quinta de Vale de Lobos, aqui, em pleno Ribatejo, longe das intrigas palacianas e da política de pacotilha.
Com ele, aprendi que se pode ser “mais monge que missionário”, sem necessidade de mosteiro ou de convento. Todos os dias me recebe nesta clausura de porta aberta. E ele, sóbrio, discreto, austero, parece segredar-me que o deixe continuar por aqui, tranquilo, repousado, sem que lhe puxe o brilho. E assim faço. Assim o continuo a olhar quando entro. A despedir-me quando saio. Tento fazer a minha parte. A patine do tempo vai fazendo a sua.
adelino pires
