O lugar dos livros impossíveis!

A colheita do dia

Naquela altura, e para alguns, ser jornalista era, escrevia Mário Ventura, “… a monotonia da Redação, onde a profissão se alimentava dia após dia das amizades com administradores, das almejadas viagens ao estrangeiro ou das gratificações chorudas que estabeleciam as convenientes divisões(…)

(…) Quando não se tinha acesso a qualquer dessas prebendas, por indolência ou mera incapacidade, espírito de rebeldia ou suspeita política, só o trabalho mecânico e sem limites, que quase nada teria a ver com o verdadeiro jornalismo, salvaria do desprezo generalizado o profissional menos propenso às artimanhas de um sistema que preferia a mediocridade morigerada…”.

Foi neste contexto que Mário Ventura sentiu como uma benção o “empurrão para a província”, assim como um prémio inesperado que lhe permitiu mergulhar num Portugal profundo e assimétrico, e que o levou a ver o país por dentro quando tudo começava a transformar-se.

O patamar da prosa que revela em “Vida e Morte dos Santiagos”, vai muito para além do jornalista de Redacção, rotinado em textos de parágrafo feito para ontem, que amanhã pode ser tarde.

Romance galardoado com o Prémio de Ficção do Pen Club Português e do Prémio Município de Lisboa é, na opinião de Fernando Assis Pacheco, “… de leitura imperativa para quem segue a evolução da prosa portuguesa nos anos recentes…”.

“Vida e Morte dos Santiagos”

Mário Ventura
4ª edição, revista
Caminho
(INDISPONÍVEL)
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